Jornal do Papi


O barato é louco, mas sai caro!

Sergio Papi empurra suas
letras com a barriga

Em pecado, o editor deixa de fazer suas orações coordenadas aditivas.

Quem disse que era fácil? Além das chuvas, os meses e suas prestações já se precipitaram de muito e nosso querido editor ainda não encontrou letras tangíveis que pudessem satisfazer a audiência de credores e incrédulos leitores.

Desconfiado que algo além do Flamengo não vai bem, nosso homem de poucas letras teria de cavar inspiração em inimagináveis reservas, que já se supunham gastas, para dar conta do recado.

Como andam escassas as cifras sibilantes que fornecem gazes (pum!) aos motores dessa empresa, nosso pescador de pérolas descascadas prefere dormitar sobre a lata fria de sua marmita de ovo frito e letras ralas.

Com efeito, qualquer tupinambá sabe que roupas e letras velhas, usam quem as quiser, nosso homem formado nas mais diversas gramáticas, anda nu das idéias e sem cartas na manga do colete curto.

Seguindo as tendências atávicas, herdadas dos antepassados antropófagos, nosso homem de desvarios e avarias, faculta deixar pra amanhã suas tarefas operárias, já que hoje, engole em seco as letras mortas.

O rapaz já não empunha sua haste (êpa!) esferográfica, nem cospe as letras toscas de seus destratados, no teclado áspero do seu adorado totem de fósforo, com as facilidades de tempos idos.

Dessa forma, fugindo de suas responsabilidades cívicas, o editor espera visitas de espíritos mais fecundos, tarde da noite aqui na redação, para dar continuidade a essas letras cambiantes como sinais de fumaça.



Escrito por S. Papi às 16h07
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