Jornal do Papi


Tá fora!

Sergio Papi sente a derrota

Casa caiu. Sorte que nosso editor já estava do lado de fora!

Já era. Como dizia a velha sabedoria Tupinambá: há males que realmente são ruins. Nosso querido homem de poucos negócios e muita falação anda desatinado e pesaroso com certos lances que se fizeram reais, a despeito de seus mais sinceros anseios e que causaram sérios abalos na estrutura psíquica do jovial malandro.

Nosso editor, figurinha pública que sempre militou nas lides dos homens livres (financeiramente falando, é claro!) e que há muito batalha pelas causas mais perdidas, entrou em profundo estado de depressão por ocasião do desagradabilíssimo desenlace do pleito (êpa!) recente.

Além de ver voar para longe a possibilidade de retornar às sinecuras municipais, o incorrigível homem de idéias, que jamais se apegou a cargos, mas adorava os holerits, já não pode também, desfilar na diáfana face que Tupã lhe emprestou, o sorriso maroto dos que se acreditam estar por cima de algum naco de carne sêca.

Tudo bem que o baratinado tirador de baratos já esteja bem acostumado aos altos e baixos dessa vida, ele que carrega em seus ocultos desígnos zodiacais, o signo da inconstância eterna. Mas, caramba! Perder assim, por impertinentes vontades alheias o seu ínfimo, porém precioso quinhão de poder, dói pra caralho!

Taciturno e borocoxô, o camarada se vê agora em situação difícil, já que não pode mais oferecer a amigos e parentes os "deixa que eu resolvo", com a mesma firmeza de propósitos de antes e que lhe granjeavam prestígio e popularidade, ele que nunca fez nada por ninguém, enquanto desfrutava das benesses governamentais.

É verdade que o coqueiro de onde despencou o nosso querido herói, não era assim coisa muito avantajada, mas pra quem nunca tinha comido desse melado, a queda embora diminuta foi bastante sentida (pois é, doeu pra caralho!).

Sorte do cara, que à guisa de se meter em campanhas na condição de graduado cabo, já havia oferecido em rituais de sacrifício, seu cargo em prestigiosa autarquia e agora está livre do vexame de se ver demitido por emplumados novos mandantes, o que, por outro lado, lhe tirou a possibilidade (remota) de tentar se passar para o outro lado.

Vida que segue e bola pra frente, é o que recomenda a vã filosofia aborígene. Tupinambá de moral não fica no chão. Nosso incansável driblador de dificuldades já anda tramando outros golpes, que lhe permitam viver sem passar fome, nem ter que dormir na praça. Foi bom enquanto durou! 

 



Escrito por S. Papi às 16h18
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