Quem ainda existe, não se perde!
Sergio Papi nunca foi tão hóspede
Hotelaria de segunda classe recebe com pompas, o querido editor
Caramba! "Em São Paulo é preciso escolher os caminhos e seguir em frente, mesmo que tortuosamente", diz um velho ditado tupinambá. Foi pensando nesse sábio ensinamento de seus antepassados que nosso amado editor, depois de abandonar o condado de Pinheiros, em ascendente trajetória (geograficamente falando, é claro!) rumo ao Centro, houve por bem (será?) estabelecer, em caráter definitivo, residência em requintado hotel, localizado na insuspeita (e famosa) Avenida São João.
A situação, por enquanto é provisória, uma vez que não se resolve (por si só e de uma vez!) o problema habitacional de nosso incorrigível viajante e vem mesmo a calhar, no momento em que se somam variados esforços no sentido de se valorizar essa região da cidade, remanescente de épocas mais faustosas, quando São Paulo ainda parecia uma cidade.
É como se o errante autor destas estivesse, somente agora, chegando à essa adorável megalópole que a todos abriga, independente de credo, raça ou tamanho do blog (êpa!) e todo o tempo em que, antes, havia nela vivido, fosse apenas um treino. O aprendiz de íncola da Região Central, até já se acostumou com as hordas de meninos cheiradores de cola, zuando alegremente pelas esquinas e tem resistido galhardamente aos cânticos sereiísticos de solícitas mocinhas, que oferecem gentilmente ao nosso encantador cavalheiro, favores vários.
Embora tema por sua integridade, o paulistanólogo amador anda olhando pra cima, apreciando embevecido, as linhas "art decô" dos velhos prédios e tropeçando distraído nos canteiros das praças, esperando escapar imune da ações mais ousadas de desavisados punguistas, mesmo porque, nosso arisco herói das causas perdidas, todos sabem, além de indefeso, é um duro (êpa!).
Em meio a olhares estranhos, o velho admirador da arquitetura de Ramos de Azevedo já anda imaginando que as estátuas lhe dizem coisas, enquanto caminha solerte pelo velho vale rumo as tarefas árduas do serviço, ele que está (é preciso que se diga) trabalhando pra caralho, num velho prédio da rua Líbero Badaró.
Escrito por S. Papi às 09h40
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