Jornal do Papi


Fim de linha

Sergio Papi é demitido da SMT

Agora é definitivo: depois de muitas idas e vindas, a alta direção da São Paulo Transportes, empresa que cuida das idas e vindas dos ônibus na cidade de São Paulo resolveu demitir Sergio Papi, nosso querido homem de artes e ofícios.

Numa atitude corajosa e movida pelo mais alto interesse público, a SPTrans finalmente se livrou da perniciosidade que representava o nosso imaginoso homem de letras para os quadros da empresa.

Tudo foi urdido na calada da noite, na tentativa de se evitar uma grave crise no governo, às vésperas do período eleitoral.

Embora cercada de certo mistério, comenta-se pelos corredores do prédio da Barão que uma das razões que leveram a demissão do nosso controvertido intelectual foi o alto consumo de café, o que acarretava um custo enorme aos cofres da empresa.

Procurado pela nossa reportagem, nosso jovem sábio preferiu manter estratégico silêncio sobre sua polêmica saída, depois de longos três anos de sobrevivência na corda bamba.

O chute na bunda ou bilhetinho azul (pô, não era bilhete único?) vai representar sério golpe nas já combalidas finanças de nosso garboso rapaz que mesmo assim não perdeu a empáfia típica dos nobres fidalgos e prometeu pagar um cafezinho para turma da repartição.

Vai cantar em outra freguesia, o nosso genial artista, destituído agora daquilo que era seu maior símbolo de poder: o velho crachá que lhe facultava viajar alegremente nos ônibus da cidade, sem pagar um tostão.

Ainda que nosso talentoso funcionário se esforçasse em puxar o saco das mais diversas chefias que lhe passaram nas mãos (êpa!), o desgaste que seu brilho pessoal vinha causando tornou inevitável o trágico desfecho.

A lamentar apenas, a tristeza de algumas estagiárias incautas, que acabaram por se apaixonar pelo nosso velho poeta, sem perceber que nessa vida tudo é passageiro do novo sistema.

Enfim, agora é esperar que o nosso adorável ladino consiga tocar a vida pros lados, vestido com os trajes de seus antigos antepassados, os índios tupinambás: calção e sandálias havaianas.

E também, claro, que a SPTrans consiga sobreviver sem a luz do nosso impávido moçoilo, verdadeiro palitinho de fósforo aceso nessa imensa escuridão brasileira.

 


Esse meu pequeno órgão (êpa!) é de informações pessoais. Insere-se na tradição de imprensa parda e amarelada do nosso país. É de responsabilidade única e exclusiva do autor, salvo quando este está viajando.
Mentiroso, presunçoso e auto referente, dispensa colaborações.



Escrito por S. Papi às 17h10
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